O tempo das coisas
Entre o fim de um ciclo e o início do próximo, existe um tempo precioso que quase sempre tentamos apressar.
Nestas últimas semanas, saí do meu emprego. Passei tempo com meus filhos. Viajei de férias com a minha família.
Não posso dizer que a saída tenha sido algo 100% planejado. Mas também estaria mentindo se dissesse que foi uma surpresa ou que tenha causado um impacto forte e negativo.
Existe um choque inicial. Um medo do amanhã. Afinal, por mais que uma decisão faça sentido, ela encerra um ciclo. E todo fim traz alguma insegurança.
Mas quando, no fundo do coração, você sabe que já não pertence mais àquele lugar, o medo vai dando espaço para outra coisa: esperança. A expectativa de construir um novo capítulo. A curiosidade pelo que ainda está por vir.
Curiosamente, foi justamente quando deixei de pensar o tempo todo no próximo passo que as ideias começaram a aparecer.
Nas férias, eu não tinha uma agenda para cumprir. Não tinha e-mails para responder nem reuniões para preparar. Tinha tempo para brincar com meus filhos, conversar sem olhar o relógio, caminhar sem destino e estar completamente presente.
E percebi como a nossa mente funciona de um jeito curioso.
Quando ela deixa de viver em estado permanente de preocupação, ela clareia. As ideias voltam. As conexões aparecem. Aquilo que parecia um problema enorme encontra um caminho. Não porque nos esforçamos mais, mas porque finalmente demos espaço para pensar.
Passei muito tempo acreditando que as melhores respostas nasceriam do trabalho intenso. Hoje acho que elas também nascem do descanso, do silêncio e da presença.
Principalmente da presença.
Estar onde é preciso estar. Não apenas fisicamente, mas por inteiro. Com a família. Com os amigos. Com os filhos. Com nós mesmos.
Os projetos podem esperar alguns dias. A infância dos nossos filhos, não.
Talvez essa seja uma das maiores lições deste período que estou vivendo.
As coisas têm o seu tempo.
Existe o tempo de construir, o tempo de colher, o tempo de mudar de direção e também o tempo de simplesmente viver, sem a ansiedade de resolver tudo imediatamente.
Estou aprendendo a respeitar esse ritmo, não é fácil para mim, uma pessoa que sempre produzi ou tanto.
Mas, pela primeira vez em muito tempo, isso não me dá a sensação de estar parada. Me dá a sensação de estar exatamente onde eu precisava estar.



É saber que para oportunidades novas chegarem, precisamos primeiro abrir espaço para elas entrarem. E muitas vezes, isso só ocorre quando outras são retiradas de nossas vidas.